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Fiscalidade Eficiência Energética

Instalaste bomba de calor ou painéis solares? O que podes mesmo recuperar no fisco em 2026

Há muita informação desatualizada a circular sobre deduções de IRS para eficiência energética. Em 2026, a realidade é diferente do que muitos esperam — mas existem mecanismos reais para recuperar parte do investimento. Este artigo explica o que existe, o que já não existe, e o que tens de fazer para não perder dinheiro.

Instalação de bomba de calor e painéis solares numa moradia em Portugal
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Artigo revisto e corrigido em agosto de 2026

Uma versão anterior deste artigo indicava que o IVA em bombas de calor e painéis solares era de 6%. Essa taxa caducou a 30 de junho de 2025 e não foi reposta — aplica-se 23%. Também não existe neste momento nenhum programa do Fundo Ambiental aberto a particulares para estes equipamentos. O artigo foi reescrito para refletir a situação real.

O mito da dedução de IRS para eficiência energética

Se pesquisares online "dedução IRS bomba de calor" ou "IRS painéis solares Portugal", vais encontrar dezenas de artigos a dizer que podes deduzir até €500 na tua declaração. O problema: a maioria desses artigos está desatualizada.

Essa dedução foi criada pelo Orçamento de Estado de 2022. Permitia deduzir à coleta do IRS uma percentagem do IVA pago na aquisição de equipamentos de eficiência energética — janelas, isolamento, bombas de calor de classe A+, painéis fotovoltaicos — até um máximo de €500 por agregado familiar. Era um mecanismo real, mas já não está em vigor em 2026.

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Atenção à informação desatualizada

Fontes de 2022 e 2023 continuam a aparecer nos primeiros resultados de pesquisa. A dedução ambiental até €500 sobre o IVA de equipamentos de eficiência energética já não está ativa. Não a declares no IRS de 2026 com base nesses artigos — podes incorrer em erro de declaração.

O que tens, então? Três mecanismos distintos que, usados corretamente, podem representar uma poupança real — mas que funcionam de formas diferentes da dedução direta que muita gente espera.

IVA: a taxa de 6% acabou — aplica-se 23%

Entre 1 de julho de 2022 e 30 de junho de 2025 vigorou uma taxa reduzida de IVA de 6% na aquisição e instalação de equipamentos de captação e aproveitamento de energia solar, eólica e geotérmica. Bombas de calor, ar condicionado e painéis solares estavam abrangidos.

Essa medida caducou a 30 de junho de 2025 e não foi reposta. Desde 1 de julho de 2025 aplica-se a taxa normal de 23%. O Parlamento aprovou uma resolução a recomendar ao Governo que a repusesse, mas uma resolução não tem força legal — a taxa manteve-se nos 23%.

23%
Taxa de IVA aplicável desde 01/07/2025
30/06/2025
Data em que a taxa de 6% caducou
€1.360
O que isto acrescenta a um projeto de €8.000

A exceção que existe — e que não é o que parece

Desde 1 de julho de 2026 existe uma taxa de IVA de 6% aplicável a empreitadas de construção e reabilitação de habitação. Não é um "IVA a 6% em bombas de calor": é um regime de empreitadas com condições próprias quanto às datas do licenciamento municipal e a limites de valor do imóvel.

E há um pormenor que muda tudo: segundo o entendimento da Autoridade Tributária, equipamentos ligados ao imóvel com carácter de permanência — incluindo ar condicionado e bombas de calor — contam para o cálculo do valor total na verificação desses limites. Em certos casos, incluir o equipamento pode fazer perder o benefício em vez de o ampliar.

Existe ainda um regime anterior de IVA a 6% em empreitadas de beneficiação e remodelação de imóveis afetos a habitação, com restrições quanto aos materiais incorporados. Se a tua instalação faz parte de uma obra maior, leva a questão ao teu contabilista com o orçamento na mão. Não assumas.

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Se um instalador te oferecer 6% sem mais explicações

Pergunta ao abrigo de que verba do Código do IVA está a faturar, e confirma com o teu contabilista. Uma faturação incorreta é um problema do cliente tanto como do fornecedor — e regulariza-se sempre a favor do Estado.

Mais-valias quando venderes a casa: 12 anos de obras contam

Este é o mecanismo fiscal que mais gente desconhece — e que pode valer muito dinheiro quando chegar a hora de vender.

Quando vendes uma casa, pagas IRS sobre a diferença entre o preço de venda e o preço de compra (as chamadas mais-valias). Mas a lei permite deduzir a esse cálculo o valor das obras de melhoria e conservação realizadas nos últimos 12 anos. Isso inclui a instalação de bombas de calor, painéis solares, isolamento térmico, janelas eficientes e qualquer outra melhoria que tenhas feito.

Na prática: se compraste a casa por €200.000 e a vendes por €320.000, tens €120.000 de mais-valia tributável. Se gastaste €15.000 em obras de eficiência energética nos últimos 12 anos, esse valor deduz à mais-valia — ficas a pagar IRS sobre €105.000 em vez de €120.000. À taxa marginal de 28%, são €4.200 de imposto que não pagas.

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Exemplo concreto

Instalação de bomba de calor + painéis solares: €15.000. Ano de venda da casa: 2031 (dentro da janela de 12 anos). Redução da base tributável: €15.000. Poupança de IRS à taxa de 28%: €4.200.

A condição essencial é teres as faturas com o NIF do imóvel. Sem esse documento, a AT pode não aceitar a dedução. Guarda todas as faturas de obras — mesmo as mais antigas — numa pasta física ou digital dedicada ao imóvel.

Quer fazer obras com apoio de subsídio?

A Crenato trata de todo o processo — pré-certificado, candidatura ao Fundo Ambiental e instalação certificada.

Ver como funciona

Subsídios: os programas fecharam

Os programas de apoio do Fundo Ambiental não são benefícios fiscais em sentido estrito, mas tinham um impacto financeiro mais direto do que qualquer dedução: reduziam o custo do investimento antes de o fazeres. O problema é que, em agosto de 2026, não há nenhum aberto a particulares para estes equipamentos.

Está anunciado um programa sucessor — o Famílias + Sustentáveis, integrado no Plano Social para o Clima — com lançamento previsto para 2027. Deverá cobrir isolamento, janelas, climatização e produção de água quente, incluindo bombas de calor. Percentagens, tetos e datas ainda não foram publicados.

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Cuidado com tetos e percentagens que encontres online

Valores como "até €7.500 por fogo" ou "30 a 40% do custo elegível" vinham de avisos concretos que já encerraram. Não são regras permanentes — cada aviso define as suas. Não faças contas a uma obra com base num teto de um programa que já não existe.

Resumo: o que existe e o que já não existe

Mecanismo Estado em agosto de 2026 Valor Requisito principal
Dedução nas mais-valias Em vigor Até €4.200+ por €15.000 de obra Faturas com NIF do imóvel, obras nos últimos 12 anos
Redução de IMI municipal Varia por concelho Pequena, quando existe Confirmar na câmara municipal
IVA a 6% em empreitadas Existe, mas com condições apertadas Depende do enquadramento da obra Datas de licenciamento e limites de valor do imóvel
IVA reduzido a 6% em equipamentos Caducou em 30/06/2025 Não aplicável — aplica-se 23%
Subsídio do Fundo Ambiental Sem programa aberto Não aplicável até 2027
Dedução de IRS (OE2022) Nunca chegou a vigorar Não aplicável

Como documentar tudo corretamente

Os três mecanismos acima dependem de uma coisa: documentação em ordem. Uma fatura sem o NIF do imóvel pode inviabilizar tanto a candidatura ao subsídio como a dedução nas mais-valias. Sobe o custo de um erro de papelada.

O que deves guardar para cada obra de eficiência energética:

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Pasta de imóvel

Cria uma pasta digital (ou física) com o nome do imóvel e guarda ali todos os documentos relacionados com obras, seguros, escritura e certificados. Em caso de venda — mesmo daqui a 10 anos — tens tudo pronto para maximizar as deduções fiscais. É uma das tarefas com maior retorno por minuto gasto.

Perguntas frequentes

Não. Não há dedução à coleta do IRS para instalação de bombas de calor. A dedução ambiental proposta no OE2022 (até €500 sobre o IVA pago) não figura nas despesas dedutíveis. E, ao contrário do que muitos artigos ainda dizem, também já não existe o IVA reduzido de 6% — caducou a 30 de junho de 2025 e aplica-se 23%. O que resta é a relevância das obras no cálculo de mais-valias em caso de venda.

Não existe dedução direta de IRS para painéis solares fotovoltaicos, e o IVA aplicável é 23% desde julho de 2025. Alguns municípios oferecem redução de IMI para imóveis com boa classe energética ou com medidas de eficiência instaladas, mas não é automático nem existe em todo o lado — confirma junto da câmara municipal do teu concelho.

Quando venderes a tua casa, podes deduzir o valor das obras de melhoria e conservação realizadas nos últimos 12 anos ao cálculo das mais-valias sujeitas a IRS. Isso reduz o lucro tributável e, portanto, o imposto a pagar. É fundamental guardar todas as faturas com o NIF da morada do imóvel — sem esse documento, a AT pode não aceitar a dedução.

O "Casa Eficiente" foi usado como nome de programas diferentes ao longo dos anos, uns como linha de crédito, outros como apoio a fundo perdido. Em agosto de 2026 nenhuma versão está aberta a candidaturas, e o programa que efetivamente comparticipava bombas de calor e solar — o Edifícios + Sustentáveis — terminou sem reedição prevista. O sucessor anunciado, Famílias + Sustentáveis, deverá arrancar em 2027, ainda sem condições publicadas.

A questão só se coloca quando houver avisos abertos, o que não acontece em agosto de 2026. Historicamente, os programas do Fundo Ambiental não permitiam acumulação com outros apoios públicos para as mesmas despesas, embora fosse possível candidatar medidas diferentes a programas diferentes sem sobreposição. Cada aviso define as suas regras — quando o programa de 2027 abrir, é o regulamento desse aviso que manda.

Carlos — Técnico Crenato Consulting

Equipa Técnica Crenato

Eficiência Energética · Grande Lisboa

A Crenato Consulting instala bombas de calor, painéis solares e sistemas de climatização em moradias na Grande Lisboa. Acompanhamos os clientes desde o dimensionamento técnico até à instalação. Artigo revisto em agosto de 2026 — tem fins informativos e não substitui aconselhamento fiscal.