O que determina o custo de aquecer uma piscina
O custo de aquecimento depende de três fatores principais: o volume de água a aquecer (ou manter aquecida), a diferença de temperatura entre a água e o ar exterior, e as perdas de calor — evaporação, radiação e convecção.
Em Lisboa, a maior fonte de perda é a evaporação — representa 60 a 70% das perdas totais de uma piscina exterior sem cobertura. É por isso que a medida de maior impacto no custo não é a bomba de calor — é a cobertura.
Referência usada neste artigo
Piscina exterior de 50 m³ (8×4×1,5 m), temperatura alvo de 26°C, sem cobertura isotérmica. Bomba de calor com COP médio de 5 em época quente e 3,5 em transição. Eletricidade a €0,22/kWh.
Custo mensal real por época do ano (piscina 50 m³, Lisboa)
Os valores abaixo assumem manutenção de temperatura — não o aquecimento inicial de água fria para a temperatura alvo, que tem um custo pontual adicional.
| Época | Temp. água (início) | kWh/dia estimado | Custo/dia | Custo/mês |
|---|---|---|---|---|
| Março / Outubro | 13–16°C | 15–22 kWh | €3,30–€4,84 | €100–€145 |
| Abril / Setembro | 16–19°C | 10–16 kWh | €2,20–€3,52 | €66–€106 |
| Maio / Agosto | 19–23°C | 7–12 kWh | €1,54–€2,64 | €46–€79 |
| Junho / Julho | 22–25°C | 5–9 kWh | €1,10–€1,98 | €33–€59 |
| Novembro | 18–21°C | 12–18 kWh | €2,64–€3,96 | €79–€119 |
Sem cobertura, o custo anual total para 9 meses de época balnear (março a novembro) fica entre €500 e €800 para uma piscina de 50 m³ em Lisboa.
Atenção ao aquecimento inicial
Aquecer a piscina de 14°C para 26°C (12°C de diferença em 50 m³) exige cerca de 700 kWh de calor → ~140 kWh elétricos (com COP 5) → ~€31. Com COP de 3,5 em março, esse custo pode subir para €45–55. Não é o custo que mais pesa — é a manutenção.
Como o volume da piscina afecta o custo
As perdas de calor dependem da superfície de água, não apenas do volume. Uma piscina rasa de 80 m² de superfície perde mais calor por evaporação do que uma piscina funda com a mesma superfície. A tabela seguinte dá referências para diferentes tamanhos comuns em Portugal:
| Piscina | Volume | Custo/mês (jun-ago) | Custo/mês (mar-abr) | Potência bomba recomendada |
|---|---|---|---|---|
| Pequena (6×3×1,4m) | ~25 m³ | €20–€40 | €55–€80 | 6–8 kW |
| Média (8×4×1,5m) | ~50 m³ | €33–€60 | €100–€145 | 10–14 kW |
| Grande (10×5×1,5m) | ~75 m³ | €50–€90 | €140–€200 | 14–20 kW |
| Muito grande (12×6×1,8m) | ~130 m³ | €80–€140 | €220–€320 | 20–30 kW |
Qual a bomba certa para a sua piscina?
Dimensionamos pelo volume, temperatura e exposição solar. Cálculo gratuito e sem compromisso.
4 formas de reduzir o custo a metade
1. Cobertura isotérmica (a mais impactante)
A evaporação é responsável por 60–70% das perdas. Uma cobertura de bolhas (€200–€500) ou uma lona isotérmica (€400–€800) reduz o consumo da bomba em 40–60%. É a medida com melhor retorno de todas. Para uma piscina de 50 m³, o payback é tipicamente inferior a 2 anos.
2. Programação horária por tarifa
A bomba de calor consome mais quando há maior diferença de temperatura entre a água e o ar. Programar o funcionamento para as horas de maior temperatura exterior (11h–17h) maximiza o COP e reduz o consumo elétrico em 10–20% em relação a funcionamento contínuo.
Se tiveres tarifa bi-horária ou tri-horária, combinar a programação com o período de vazio (horas de eletricidade mais barata) pode reduzir o custo adicional em 20–30%.
3. Temperatura alvo realista
Cada grau Celsius adicional de temperatura alvo representa um aumento de 5–8% no consumo de manutenção. A diferença entre manter a 24°C e a 28°C não é conforto linear — é custo significativo. Para a maioria dos utilizadores, 26°C é o ponto de equilíbrio entre conforto e eficiência.
4. Desligar nos dias sem utilização
Em piscinas com cobertura, desligar a bomba durante 2–3 dias de não utilização e deixar arrefecer para 22–23°C consome menos energia do que manter a 26°C continuamente. A bomba volta à temperatura-alvo em 4–8 horas com cobertura. Sem cobertura este cálculo inverte-se — o re-aquecimento pode ser mais caro do que a manutenção.
Poupança com cobertura + programação
Combinando cobertura isotérmica e programação horária numa piscina de 50 m³ em Lisboa, o custo anual pode cair de €600–700 para €280–350 — uma poupança de mais de 50%. A bomba de calor já é o sistema mais eficiente; estas medidas complementares multiplicam esse efeito.
Época balnear em Lisboa: de março a novembro
Com bomba de calor, é realista ter a piscina pronta a usar de meados de março até fim de outubro — e em anos mais amenos até novembro. Isso representa 8 a 9 meses de utilização, contra os habituais 4–5 meses sem aquecimento.
Os meses de transição (março, abril, outubro) têm custos mais altos por mês, mas o custo médio por dia de utilização ainda é muito competitivo face a alternativas como resistências elétricas (eficiência de 1:1 vs. 5:1 da bomba de calor) ou caldeiras a gás.
Comparação de sistemas de aquecimento de piscina
Bomba de calor: €33–€145/mês (consoante época) · COP 4–6
Resistência elétrica: €165–€725/mês (mesmo consumo, sem COP) — 5× mais caro
Caldeira a gás: €90–€250/mês (dependendo da tarifa de gás) — eficiência ~90%