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Poupança Energética Solar Fotovoltaico

Como ler a fatura de eletricidade e perceber o que está a custar mais

A fatura de eletricidade tem uma dúzia de linhas e a maioria das pessoas só olha para o total. O problema é que sem perceber o que compõe essa fatura, não sabes onde está o desperdício nem o que muda quando instalas solar. Este guia explica tudo — em português direto.

Fatura de eletricidade — como ler e poupar

Anatomia de uma fatura de eletricidade típica

Uma fatura residencial de eletricidade em Portugal tem, tipicamente, quatro tipos de custos: potência contratada, energia consumida, impostos/taxas e o custo da rede. Cada um funciona de forma diferente — e só podes influenciar alguns deles.

Para perceberes o conceito, aqui está como pode parecer uma fatura mensal de €80 para uma casa de 3 pessoas com consumo médio:

Exemplo — Fatura mensal típica (tarifa simples, 6,9 kVA)
Potência contratada Custo fixo por ter o contador ligado à rede, independente do consumo
€14,20
Energia consumida 300 kWh × ~€0,175/kWh (componente de energia pura)
€52,50
CIEG + outros encargos tarifários Contribuição para o sistema elétrico nacional
€9,80
IVA (23%) Sobre energia + parte dos encargos
€3,50
Total €80,00

Nota o que isto significa: do teu €80, apenas €52,50 (65%) é energia que realmente consumiste. O resto são custos de infraestrutura, taxas e impostos que existem independentemente de consumires muito ou pouco.

Potência contratada — o custo fixo que toda a gente paga sem pensar

A potência contratada é o valor máximo de kVA que a rede elétrica garante entregar à tua casa em simultâneo. Em Portugal, os escalões mais comuns são: 3,45 kVA, 6,9 kVA, 10,35 kVA, 13,8 kVA e por aí acima.

Cada escalão tem um custo mensal fixo — independente do que consomes. Em 2026, os valores aproximados são:

Potência contratada Custo mensal aprox. Quem precisa
3,45 kVA ~€7/mês Estúdios, 2.ª habitação com pouco uso
6,9 kVA ~€14/mês Apartamento T2–T3, uso normal
10,35 kVA ~€21/mês Moradia, aquecimento elétrico, bomba de calor
13,8 kVA ~€28/mês Moradia grande, equipamentos industriais leves
💡
Tens potência a mais? Podes poupar

Se instalaste uma bomba de calor ou deixaste de usar aquecimento elétrico direto, pode fazer sentido descer um escalão. Para verificar, o teu fornecedor tem acesso ao histórico de picos de consumo. Descer de 10,35 para 6,9 kVA poupa ~€7/mês — €84/ano — sem fazer nada.

A componente de energia consumida

Esta é a parte da fatura que varia com o teu consumo real — kWh que usaste multiplicado pelo preço por kWh. Em Portugal, em 2026, o preço médio da eletricidade no mercado regulado e nos principais comercializadores está entre €0,20 e €0,24/kWh no horário normal.

Os principais "comedores" de eletricidade numa casa típica são, por ordem de impacto:

30–40%
Aquecimento e arrefecimento (AVAC)
15–20%
Água quente sanitária
10–15%
Frigorífico e congelador
10–12%
Máquinas de lavar e secar

Nota que aquecimento/arrefecimento e AQS representam 45–60% do consumo total. É exatamente aqui que a bomba de calor e o solar térmico têm mais impacto — e não é por acaso que são as tecnologias com melhores paybacks.

Tarifa simples vs bi-horária: quando vale mudar

Na tarifa simples, pagas o mesmo preço por kWh a qualquer hora do dia. Na tarifa bi-horária, há dois preços:

Período Horário (dias úteis) Horário (fins de semana) Preço aprox.
Fora de vazio 08h00 — 22h00 ~€0,24/kWh
Vazio 22h00 — 08h00 Todo o dia ~€0,16/kWh

A diferença de €0,08/kWh pode parecer pequena, mas se tens uma máquina de lavar (1,5 kWh/ciclo), lava-loiça (1,2 kWh/ciclo) e um carregador de veículo elétrico (7–11 kWh/noite), e deslocas tudo para o vazio, a poupança anual pode facilmente ser de €80–150/ano sem mudar nada no consumo real.

⚠️
Bi-horária só compensa se mudares hábitos

Se não consegues deslocar consumos para o vazio, a tarifa bi-horária pode sair mais cara — o preço de fora de vazio é superior ao da tarifa simples. A mudança só compensa se pelo menos 30–35% do teu consumo for em horas de vazio.

O que é a CIEG — e porque é tão alta

A CIEG (Contribuição para o Sistema Energético) é um encargo obrigatório que aparece na fatura e financia os custos de interesse económico geral do sistema elétrico português. Inclui:

As rendas garantidas a centrais hidroelétricas construídas sob contratos de longo prazo ("custos irrecuperáveis"), os apoios às energias renováveis em tarifas feed-in antigas, os custos de manutenção da rede de transporte (REN) e distribuição (E-REDES), e o défice tarifário acumulado de anos anteriores.

A CIEG representa tipicamente 12–20% da fatura total e é idêntica em todos os comercializadores — não podes negociá-la nem evitá-la. Quem tem solar reduz o montante absoluto pago (porque compra menos kWh), mas a percentagem da CIEG sobre o que paga pode até subir — porque passa a pagar menos na componente variável mas a CIEG tem uma parte fixa.

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Porque a fatura não baixa proporcionalmente com o solar

Se passas a consumir 60% menos da rede com solar, a tua fatura não baixa 60%. A potência contratada mantém-se, a CIEG tem parcela fixa, e o IVA aplica-se sobre o que sobra. Na prática, com solar bem dimensionado, a fatura cai 50–70% — não 100% — a menos que saias completamente da rede (off-grid), o que não faz sentido económico para a grande maioria das casas.

Como o solar fotovoltaico muda a tua fatura

Com um sistema de autoconsumo solar, cada kWh que produzires durante o dia e consumires imediatamente deixa de ser comprado à rede. Para uma moradia em Lisboa com 4 kWp de solar bem orientado, a produção anual é de ~5.000 kWh — o equivalente a 40–50% do consumo anual médio de uma moradia.

O impacto na fatura depende de quanto do solar consomes diretamente (autoconsume) vs. injectas na rede. Com um perfil de consumo típico sem bateria, a autoconsume ronda os 40–60%. Com bateria, pode chegar a 70–85%.

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Com base na tua fatura atual e no consumo real da tua casa, calculamos a poupança estimada antes de qualquer compromisso.

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3 ações concretas para baixar a fatura agora

1. Verifica a potência contratada

Liga para o teu fornecedor e pede o histórico de picos de consumo. Se o teu consumo máximo nunca ultrapassou 5 kVA, estás a pagar por 6,9 ou 10,35 kVA sem necessidade. Descer um escalão pode poupar €7–10/mês (€84–120/ano) sem qualquer alteração nos hábitos.

2. Experimenta a tarifa bi-horária por 3 meses

A mudança de tarifa é gratuita e reversível. Muda para bi-horária e programa a máquina de lavar e o lava-loiça para as horas de vazio. Ao fim de 3 meses compares as faturas — se não poupaste, revertes.

3. Instala solar (o único que muda a fatura de verdade)

As medidas acima poupam dezenas de euros por ano. O solar poupa centenas. Para uma moradia típica em Lisboa, a poupança anual com solar está entre €600 e €1.000, com payback de 7–10 anos e vida útil de 25+ anos.

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Como comparar comercializadores de eletricidade

O portal ComparaJá.pt (regulado pela ERSE) permite comparar tarifas de comercializadores regulados e liberalizados com base no teu consumo anual real. Vale a pena verificar de dois em dois anos — as diferenças entre comercializadores podem chegar a 10–15% na componente de energia.

Perguntas frequentes

Depende do teu perfil de consumo. Se consegues deslocar cargas pesadas (máquina de lavar, lava-loiça, carregamento de VE) para as horas de vazio (22h–08h e fim de semana), a tarifa bi-horária pode poupar 15–25% na componente de energia consumida. Se o teu consumo é distribuído uniformemente pelo dia, o ganho é menor e pode não compensar.
A CIEG financia os custos de interesse económico geral do sistema elétrico nacional — incluindo rendas de centrais antigas, apoios às renováveis e manutenção da rede. Representa 12–20% da fatura total e não é negociável — é igual em todos os comercializadores.
Com solar em autoconsumo, cada kWh produzido e consumido durante o dia deixa de ser comprado à rede. Se consomes 10 kWh/dia e o solar produz 6 kWh durante o dia, compras apenas 4 kWh — reduzindo a fatura em ~50–60% na componente de energia. Os encargos fixos (potência contratada, parte da CIEG, IVA) mantêm-se, mas a componente variável cai drasticamente.
Às vezes. Se tiveres 10,35 kVA contratados mas só usares picos de 5–6 kVA, podes descer para 6,9 kVA e poupar ~€7/mês. O risco é o disjuntor disparar quando ligares vários equipamentos ao mesmo tempo. O teu fornecedor pode confirmar o teu consumo máximo histórico antes de decidires.

Conclusão

Perceber a tua fatura de eletricidade não é apenas uma questão de literacia financeira — é o ponto de partida para tomar decisões informadas sobre onde investir para poupar mais. A potência contratada e a tarifa são ajustes imediatos e baratos. O solar é o único que muda a fatura de forma estrutural e permanente.

Se o teu objetivo é cortar a fatura a metade ou mais, o caminho passa por autoconsumo solar — eventualmente com bomba de calor para substituir o aquecimento e AQS a gás ou elétrico. A combinação dos dois é o que a grande maioria das moradias na Grande Lisboa consegue hoje, com paybacks de 7–10 anos e poupanças anuais de €800–1.500.

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Carlos Renato — Crenato Consulting
Crenato Consulting
Eficiência Energética · Grande Lisboa

22 anos de experiência em instalação de sistemas de energia renovável na Grande Lisboa. Ajudamos particulares e empresas a perceber a sua fatura de energia e a tomar as decisões certas para reduzir custos de forma sustentável.