Esta área muda com frequência e há muito conteúdo desatualizado em circulação. Se estás a ler isto muito depois de agosto de 2026, confirma o estado atual em fundoambiental.pt antes de tomares decisões.
Resumo em 30 segundos
| O que muita gente pensa | O que é verdade em agosto de 2026 |
|---|---|
| "Há IVA a 6% em bombas de calor" | Caducou a 30/06/2025. Aplica-se 23% |
| "O Casa Eficiente comparticipa a obra" | Terminou. Governo não o reedita |
| "Posso pedir o Vale Eficiência" | Cancelado em fevereiro de 2026 |
| "O E-Lar dá apoio para ar condicionado" | Encerrou em março de 2026 — e nunca cobriu climatização |
| "Deduzo no IRS" | Não existe dedução para eficiência energética |
| "Vem aí um programa novo" | Sim — anunciado para 2027, sem condições conhecidas |
O IVA já não são 6% — e isto muda a conta a sério
Entre 1 de julho de 2022 e 30 de junho de 2025 existiu uma taxa reduzida de IVA de 6% na aquisição e instalação de equipamentos de captação e aproveitamento de energia solar, eólica e geotérmica. Bombas de calor, ar condicionado e painéis solares estavam abrangidos.
Essa medida caducou a 30 de junho de 2025 e não foi reposta. Desde 1 de julho de 2025 aplica-se a taxa normal de 23%. O Parlamento aprovou uma resolução a recomendar ao Governo que a repusesse, mas uma resolução é uma recomendação — não tem força legal e não alterou nada.
Numa instalação de €8.000 antes de imposto, a diferença entre 6% e 23% é de cerca de €1.360. Não é um pormenor contabilístico — é mais de um mês de salário médio. Qualquer orçamento ou simulação que ainda apresente 6% está errado e vai criar um problema no momento da fatura.
Há uma nuance que vale a pena conhecer, mas que não é o que parece à primeira vista. Desde 1 de julho de 2026 existe uma taxa de IVA de 6% aplicável a empreitadas de construção e reabilitação de habitação, com condições próprias: datas de licenciamento dentro de uma janela específica e limites de valor do imóvel. Não é um "IVA a 6% em bombas de calor". É um regime de empreitadas, em que os equipamentos ligados ao imóvel com carácter de permanência — incluindo climatização — contam para o cálculo desses limites de valor, podendo em certos casos fazer perder o benefício. Se a tua instalação faz parte de uma obra maior, é matéria para o teu contabilista confirmar, não para presumir.
Os programas que acabaram
Programa de Apoio a Edifícios + Sustentáveis
Era o programa que efetivamente apoiava bombas de calor, janelas eficientes e painéis solares para particulares. Teve cerca de 80 mil candidaturas e pagou mais de 62 milhões de euros. A última edição encerrou e o Governo indicou que não pretende reeditá-lo, tendo optado por modelos mais simples e mais estreitos.
Vale Eficiência
Destinava-se a famílias em situação de pobreza energética e dava um vale de €1.300 mais IVA. A atribuição de novos vales foi cancelada em fevereiro de 2026 e o programa terminou em junho, alinhado com o fim do PRR. Foram atribuídos mais de 20 mil vales — e cerca de 28 mil famílias com candidatura considerada elegível ficaram sem apoio.
Casa Eficiente
É o nome que mais aparece em pesquisas e o que mais confusão gera, porque foi usado em versões diferentes ao longo dos anos. Nenhuma delas está aberta a candidaturas em agosto de 2026.
O E-Lar e o mal-entendido mais comum
O E-Lar foi o programa mais falado de 2025 e 2026 — a primeira fase esgotou a dotação em cerca de seis dias, com perto de 40 mil candidaturas. A segunda fase encerrou a 24 de março de 2026.
E aqui está o ponto que quase ninguém explica: o E-Lar nunca cobriu climatização. Apoiava a substituição de equipamentos a gás por elétricos — placas de indução, fornos e termoacumuladores. Ar condicionado e bombas de calor estavam explicitamente excluídos, mesmo sendo dos equipamentos mais eficientes que se podem instalar numa casa.
Quem se candidatou a pensar em resolver o aquecimento da casa ficou pelo caminho. Vale a pena saber isto antes de esperar por uma terceira fase.
Então o que resta em 2026?
Sendo diretos: para quem quer instalar climatização em habitação própria, muito pouco.
- Nenhum apoio a fundo perdido aberto. Não há, neste momento, programa nacional a que um particular se possa candidatar para bombas de calor ou ar condicionado.
- Sem dedução em IRS. A dedução ambiental proposta em 2022 não chegou a vigorar e não consta das despesas dedutíveis atuais.
- IVA a 23%, com a exceção do regime de empreitadas referido acima, a confirmar caso a caso.
- Programas municipais. Alguns municípios têm apoios próprios ou reduções em taxas. São pequenos e muito variáveis — vale a pena um telefonema à câmara, sem grandes expectativas.
- Crédito bonificado. Foi anunciada uma linha de financiamento facilitado para obras de eficiência energética. À data deste artigo não confirmámos que esteja operacional — e, em todo o caso, é crédito, não subsídio.
A poupança na fatura. Uma bomba de calor com COP anual de 4,0 a 4,5 entrega quatro a quatro vezes e meia mais energia útil do que consome em eletricidade. Numa moradia de 150 m² a substituir aquecimento a gás ou elétrico direto, isso traduz-se tipicamente em €650 a €700 por ano. Ao longo de 15 anos são cerca de €10.000 — mais do que qualquer subsídio alguma vez deu.
O que vem aí em 2027
Está anunciado um programa chamado Famílias + Sustentáveis, integrado no Plano Social para o Clima e financiado pelo Fundo Social para o Clima da União Europeia. Pela informação divulgada, deverá cobrir isolamento térmico, substituição de janelas e portas, sistemas de climatização e produção de água quente — incluindo bombas de calor — eletrodomésticos eficientes e soluções bioclimáticas.
O lançamento está previsto para 2027. As condições, percentagens, tetos e datas de candidatura ainda não foram publicadas.
A pergunta óbvia é: vale a pena esperar? A nossa resposta franca é que depende do estado do que tens em casa. Se a caldeira funciona e o inverno é suportável, esperar por 2027 é uma aposta razoável. Se estás a aquecer a casa com aquecedores elétricos ou a pagar faturas de gás pesadas, cada inverno de espera custa mais do que o apoio provavelmente vai dar — e não há garantia nenhuma de que a tua candidatura seja aceite quando abrir.
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Como decidir uma obra sem contar com apoios
Passámos os últimos anos a ver pessoas adiarem obras à espera de programas que ou nunca abriram, ou abriram e esgotaram em seis dias. Se há uma lição a tirar disto, é esta: a decisão tem de fechar sem o apoio.
Na prática, três regras simples:
1. Faz as contas com 23% e zero subsídio
Se o projeto só faz sentido com apoio, não é o projeto certo — é um projeto a precisar de uma revisão de âmbito. Talvez faseado, talvez mais pequeno, talvez com outra solução técnica.
2. Olha para o custo de não fazer nada
Uma caldeira a gás velha ou aquecimento elétrico direto tem um custo mensal que continua a correr enquanto esperas. Compara o investimento com a soma das faturas dos próximos cinco anos, não com o preço de compra isolado.
3. Não faças a obra a correr por causa de um prazo
A pressa dos prazos de candidatura produziu instalações mal dimensionadas em todo o país. Sem apoio à vista, ganhas uma coisa: tempo para escolher bem o equipamento, o dimensionamento e quem faz a instalação. Isso vale mais do que 30% de comparticipação numa obra mal feita.
Perguntas frequentes
Em agosto de 2026, não. Não existe nenhum programa público nacional aberto a particulares para equipamentos de climatização em habitação. O programa que apoiava bombas de calor terminou, o Vale Eficiência foi cancelado e o E-Lar — além de encerrado — nunca cobriu climatização. Está anunciado um novo programa para 2027, ainda sem condições conhecidas.
23%. A taxa reduzida de 6% para equipamentos de energia renovável caducou a 30 de junho de 2025 e não foi reposta. Existe desde julho de 2026 um regime de IVA a 6% em empreitadas de construção e reabilitação de habitação, mas tem condições próprias quanto a licenciamento e limites de valor do imóvel — e os equipamentos contam para esses limites. Deve ser confirmado caso a caso com um contabilista.
Depende do que tens hoje. Se o sistema atual funciona e as faturas são suportáveis, esperar é razoável. Se estás a aquecer com elétricos diretos ou a pagar gás caro, o custo de cada inverno de espera tende a ultrapassar o valor do apoio — e não há garantia de que a candidatura seja aceite. Nas duas fases do E-Lar, a dotação esgotou em dias.
Não existe dedução à coleta em IRS especificamente para equipamentos de eficiência energética. A medida de abatimento até €500 proposta em 2022 não figura nas despesas dedutíveis atuais. Guarda sempre as faturas: em caso de venda do imóvel, encargos com valorização podem relevar no apuramento de mais-valias — matéria a confirmar com um contabilista.
A conclusão que ninguém quer ouvir
Em agosto de 2026, quem quiser instalar climatização em casa vai pagar o preço todo, com 23% de IVA e sem comparticipação. É a realidade, e é melhor sabê-la agora do que a meio de uma obra.
A parte boa é que o argumento nunca foi o subsídio. Uma bomba de calor bem dimensionada paga-se sozinha na diferença da fatura ao longo de uma década — e isso não depende de nenhuma portaria nem de nenhuma dotação que esgota em seis dias.
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