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Apoios Climatização

Apoios para ar condicionado e climatização em 2026: a resposta honesta

Vais encontrar dezenas de páginas a prometer subsídios e IVA reduzido para bombas de calor e ar condicionado. Quase todas repetem informação de 2023 e 2024. A situação real em agosto de 2026 é bastante mais simples — e menos animadora: não existe nenhum programa aberto para climatização em habitação particular, e o IVA voltou aos 23%. Este artigo explica o que acabou, o que resta, o que vem aí, e como decidir uma obra sem contar com apoios.

Unidade exterior de bomba de calor instalada numa moradia
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Informação verificada em agosto de 2026

Esta área muda com frequência e há muito conteúdo desatualizado em circulação. Se estás a ler isto muito depois de agosto de 2026, confirma o estado atual em fundoambiental.pt antes de tomares decisões.

Resumo em 30 segundos

O que muita gente pensa O que é verdade em agosto de 2026
"Há IVA a 6% em bombas de calor" Caducou a 30/06/2025. Aplica-se 23%
"O Casa Eficiente comparticipa a obra" Terminou. Governo não o reedita
"Posso pedir o Vale Eficiência" Cancelado em fevereiro de 2026
"O E-Lar dá apoio para ar condicionado" Encerrou em março de 2026 — e nunca cobriu climatização
"Deduzo no IRS" Não existe dedução para eficiência energética
"Vem aí um programa novo" Sim — anunciado para 2027, sem condições conhecidas

O IVA já não são 6% — e isto muda a conta a sério

Entre 1 de julho de 2022 e 30 de junho de 2025 existiu uma taxa reduzida de IVA de 6% na aquisição e instalação de equipamentos de captação e aproveitamento de energia solar, eólica e geotérmica. Bombas de calor, ar condicionado e painéis solares estavam abrangidos.

Essa medida caducou a 30 de junho de 2025 e não foi reposta. Desde 1 de julho de 2025 aplica-se a taxa normal de 23%. O Parlamento aprovou uma resolução a recomendar ao Governo que a repusesse, mas uma resolução é uma recomendação — não tem força legal e não alterou nada.

🧮
O que isto significa em euros

Numa instalação de €8.000 antes de imposto, a diferença entre 6% e 23% é de cerca de €1.360. Não é um pormenor contabilístico — é mais de um mês de salário médio. Qualquer orçamento ou simulação que ainda apresente 6% está errado e vai criar um problema no momento da fatura.

Há uma nuance que vale a pena conhecer, mas que não é o que parece à primeira vista. Desde 1 de julho de 2026 existe uma taxa de IVA de 6% aplicável a empreitadas de construção e reabilitação de habitação, com condições próprias: datas de licenciamento dentro de uma janela específica e limites de valor do imóvel. Não é um "IVA a 6% em bombas de calor". É um regime de empreitadas, em que os equipamentos ligados ao imóvel com carácter de permanência — incluindo climatização — contam para o cálculo desses limites de valor, podendo em certos casos fazer perder o benefício. Se a tua instalação faz parte de uma obra maior, é matéria para o teu contabilista confirmar, não para presumir.

Os programas que acabaram

Programa de Apoio a Edifícios + Sustentáveis

Era o programa que efetivamente apoiava bombas de calor, janelas eficientes e painéis solares para particulares. Teve cerca de 80 mil candidaturas e pagou mais de 62 milhões de euros. A última edição encerrou e o Governo indicou que não pretende reeditá-lo, tendo optado por modelos mais simples e mais estreitos.

Vale Eficiência

Destinava-se a famílias em situação de pobreza energética e dava um vale de €1.300 mais IVA. A atribuição de novos vales foi cancelada em fevereiro de 2026 e o programa terminou em junho, alinhado com o fim do PRR. Foram atribuídos mais de 20 mil vales — e cerca de 28 mil famílias com candidatura considerada elegível ficaram sem apoio.

Casa Eficiente

É o nome que mais aparece em pesquisas e o que mais confusão gera, porque foi usado em versões diferentes ao longo dos anos. Nenhuma delas está aberta a candidaturas em agosto de 2026.

O E-Lar e o mal-entendido mais comum

O E-Lar foi o programa mais falado de 2025 e 2026 — a primeira fase esgotou a dotação em cerca de seis dias, com perto de 40 mil candidaturas. A segunda fase encerrou a 24 de março de 2026.

E aqui está o ponto que quase ninguém explica: o E-Lar nunca cobriu climatização. Apoiava a substituição de equipamentos a gás por elétricos — placas de indução, fornos e termoacumuladores. Ar condicionado e bombas de calor estavam explicitamente excluídos, mesmo sendo dos equipamentos mais eficientes que se podem instalar numa casa.

Quem se candidatou a pensar em resolver o aquecimento da casa ficou pelo caminho. Vale a pena saber isto antes de esperar por uma terceira fase.

Então o que resta em 2026?

Sendo diretos: para quem quer instalar climatização em habitação própria, muito pouco.

💡
O apoio que continua a existir e ninguém conta

A poupança na fatura. Uma bomba de calor com COP anual de 4,0 a 4,5 entrega quatro a quatro vezes e meia mais energia útil do que consome em eletricidade. Numa moradia de 150 m² a substituir aquecimento a gás ou elétrico direto, isso traduz-se tipicamente em €650 a €700 por ano. Ao longo de 15 anos são cerca de €10.000 — mais do que qualquer subsídio alguma vez deu.

O que vem aí em 2027

Está anunciado um programa chamado Famílias + Sustentáveis, integrado no Plano Social para o Clima e financiado pelo Fundo Social para o Clima da União Europeia. Pela informação divulgada, deverá cobrir isolamento térmico, substituição de janelas e portas, sistemas de climatização e produção de água quente — incluindo bombas de calor — eletrodomésticos eficientes e soluções bioclimáticas.

O lançamento está previsto para 2027. As condições, percentagens, tetos e datas de candidatura ainda não foram publicadas.

A pergunta óbvia é: vale a pena esperar? A nossa resposta franca é que depende do estado do que tens em casa. Se a caldeira funciona e o inverno é suportável, esperar por 2027 é uma aposta razoável. Se estás a aquecer a casa com aquecedores elétricos ou a pagar faturas de gás pesadas, cada inverno de espera custa mais do que o apoio provavelmente vai dar — e não há garantia nenhuma de que a tua candidatura seja aceite quando abrir.

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Como decidir uma obra sem contar com apoios

Passámos os últimos anos a ver pessoas adiarem obras à espera de programas que ou nunca abriram, ou abriram e esgotaram em seis dias. Se há uma lição a tirar disto, é esta: a decisão tem de fechar sem o apoio.

Na prática, três regras simples:

1. Faz as contas com 23% e zero subsídio

Se o projeto só faz sentido com apoio, não é o projeto certo — é um projeto a precisar de uma revisão de âmbito. Talvez faseado, talvez mais pequeno, talvez com outra solução técnica.

2. Olha para o custo de não fazer nada

Uma caldeira a gás velha ou aquecimento elétrico direto tem um custo mensal que continua a correr enquanto esperas. Compara o investimento com a soma das faturas dos próximos cinco anos, não com o preço de compra isolado.

3. Não faças a obra a correr por causa de um prazo

A pressa dos prazos de candidatura produziu instalações mal dimensionadas em todo o país. Sem apoio à vista, ganhas uma coisa: tempo para escolher bem o equipamento, o dimensionamento e quem faz a instalação. Isso vale mais do que 30% de comparticipação numa obra mal feita.

Perguntas frequentes

Em agosto de 2026, não. Não existe nenhum programa público nacional aberto a particulares para equipamentos de climatização em habitação. O programa que apoiava bombas de calor terminou, o Vale Eficiência foi cancelado e o E-Lar — além de encerrado — nunca cobriu climatização. Está anunciado um novo programa para 2027, ainda sem condições conhecidas.

23%. A taxa reduzida de 6% para equipamentos de energia renovável caducou a 30 de junho de 2025 e não foi reposta. Existe desde julho de 2026 um regime de IVA a 6% em empreitadas de construção e reabilitação de habitação, mas tem condições próprias quanto a licenciamento e limites de valor do imóvel — e os equipamentos contam para esses limites. Deve ser confirmado caso a caso com um contabilista.

Depende do que tens hoje. Se o sistema atual funciona e as faturas são suportáveis, esperar é razoável. Se estás a aquecer com elétricos diretos ou a pagar gás caro, o custo de cada inverno de espera tende a ultrapassar o valor do apoio — e não há garantia de que a candidatura seja aceite. Nas duas fases do E-Lar, a dotação esgotou em dias.

Não existe dedução à coleta em IRS especificamente para equipamentos de eficiência energética. A medida de abatimento até €500 proposta em 2022 não figura nas despesas dedutíveis atuais. Guarda sempre as faturas: em caso de venda do imóvel, encargos com valorização podem relevar no apuramento de mais-valias — matéria a confirmar com um contabilista.

A conclusão que ninguém quer ouvir

Em agosto de 2026, quem quiser instalar climatização em casa vai pagar o preço todo, com 23% de IVA e sem comparticipação. É a realidade, e é melhor sabê-la agora do que a meio de uma obra.

A parte boa é que o argumento nunca foi o subsídio. Uma bomba de calor bem dimensionada paga-se sozinha na diferença da fatura ao longo de uma década — e isso não depende de nenhuma portaria nem de nenhuma dotação que esgota em seis dias.

Se quiseres ver os números da tua casa em concreto, fazemos a visita e o estudo sem custo. Com as contas de hoje, não com as de 2024.

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Equipa técnica da Crenato Consulting
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Especialistas em Climatização e Eficiência Energética

A Crenato Consulting instala sistemas de bomba de calor com ventiloconvectores, piso radiante e soluções híbridas em moradias da Grande Lisboa. Técnicos certificados DGEG, com centenas de instalações em operação. Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento fiscal.